Busca no site 
 NOTÍCIAS
 
Saúde mental no sistema prisional foi debatida no CRP-MG
 
Publicado em 5/10/2017

O ciclo de debates Psicologia em Foco – realizado pelo Conselho Regional de Psicologia - Minas Gerais (CRP-MG) - retornou em outubro com mais um tema importante nesta quarta-feira, 4/10: a “Saúde Mental no Sistema Prisional Mineiro”.

O debate foi mediado pela conselheira e coordenadora do Grupo de Trabalho Sistema Prisional e Socioeducativo do CRP-MG, Vilene Eulálio. Assista o registro completo do evento no link: goo.gl/Dkq9Dj

Saúde mental de quem trabalha no Sistema Prisional – O psicólogo Rodrigo Padrini atua na área de atenção à saúde do servidor da Secretaria de Estado de Administração Prisional e apresentou o atual contexto de Minas Gerais. “Temos um pouco mais de 200 unidades prisionais e administrativas em todo o Estado, o sistema prisional mineiro é o segundo maior do país com cerca 23 mil funcionários. Em 2006 tínhamos uma média de 6 mil funcionários, esse número quadriplicou”, esclareceu. Segundo Rodrigo, o crescimento da população carcerária no período foi ainda maior e aumentou em seis vezes: atualmente há mais de 70 mil pessoas privadas de liberdade em Minas Gerais. 

Rodrigo falou da precariedade na estrutura dos presídios do Estado, em que faltam elementos básicos, como banheiros, e os impactos disso sobre a saúde dos servidores, que sofrem com adoecimento, transtornos mentais e comportamentais. “O que nós concluímos é que o atual modelo voltado para saúde do servidor ainda é insuficiente, precário e vem trazendo poucos resultados”, analisou o psicólogo.

Saúde mental de pessoas privadas de liberdade - A psicóloga e criminóloga da Secretaria de Estado e Defesa Social de Minas Gerais, Fabiane Xavier, falou da sua experiência no atendimento às pessoas privadas de liberdade. “Os desafios do nosso trabalho e da nossa profissão dentro desses centros nos fazem pensar em como fazer para que esse acompanhamento seja mesmo um agente de ressocialização, que essa pessoa tenha uma estabilidade no seu quadro e possa voltar para sociedade”, analisou a psicóloga.    

Ela também ressaltou a precariedade dos presídios do Estado, acrescentando que muitas unidades foram adaptadas para serem presídios e outras unidades possuem a mesma estrutura há mais de 50 anos. “Diante de um sistema super lotado, unidades antigas e com instalações precárias, sem acesso a direitos básicos, como saúde e educação, presos sem condenação e um sistema judiciário moroso, como é possível socializar estas pessoas? ”, questionou a psicóloga.

A egressa do sistema prisional Cinthia Rodrigues fez um relato da sua experiência e do seu processo de ressocialização. “Foram dez anos dentro sistema, nesse período fiquei presa em quatro estados diferentes, sendo o último aqui, em Minas, onde passei quatro anos. Tive a oportunidade de me formar através de um programa e em 2015 fiz um curso técnico em políticas públicas”, contou Cinthia.

Cinthia ressaltou a importância das(os) psicólogas(os) dentro dos presídios: “99% das mulheres que estão encarceradas têm vício em drogas ou já têm um sofrimento mental e usam algum medicamento. Essas mulheres chegam no presídio necessitando de acompanhamento psicológico, mas em muitos casos não terá acesso”, afirmou Cinthia.