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Adoecimento docente foi debatido nesta segunda-feira no CRP-MG
 
Publicado em 11/10/2017

O Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) promoveu um debate importante e urgente na última segunda-feira, 9/10: “Saúde e adoecimento docente”. Veja o registro em vídeo.

As convidadas para falar do tema foram: Maristela de Souza, que é psicóloga e mestra em Psicologia, Doutora em Psicologia Social e professora do Instituto de Psicologia da UFU e Deborah Barbosa, professora do Departamento de Psicologia da UFMG, doutora em Ciências (USP), mestra em Psicologia Escolar, licenciada, bacharel e psicóloga. Membro da Comissão de Psicologia Escolar e Educacional do CRP-MG. A atividade foi mediada pela conselheira do CRP-MG, Odila Braga.

Trabalho docente, neoliberalismo e patologias – A professora Maristela de Souza realiza pesquisas sobre adoecimento docente entre professores das universidades públicas brasileiras e constatou que educadores são pouco vistos como “trabalhadores”. Ela explicou a importância de que esse quadro seja revisto: “o trabalho é o eixo central onde organizamos nossas vivências, além de constituir nossa identidade”, afirmou.

No mundo capitalista, o trabalho acabou se tornando um vetor de sofrimento e adoecimento, quando na verdade deveria ser algo bom, que traz saúde e é aí que entra a relação com o neoliberalismo, que, segundo Maristela, é a face global do capitalismo. “A proposta inicial do neoliberalismo é a existência de um Estado mínimo, no sentido de ofertar minimamente condições sociais para a população”, enfatizou. Segundo ela, não é possível que liberdade e igualdade existam dentro do capitalismo e neoliberalismo, respectivamente, pois um acaba anulando o outro.

A pesquisadora citou as doenças que mais acometem professores dos pontos de vista físico, mental e psicossomático. “A categoria é uma das que mais sofre com o burnout. Muitas cobranças para pouco retorno e sobrecarga de trabalho acabam acumulando, ao longo dos anos, uma série de problemas de saúde como: estresse, crises gástricas, aumento da pressão arterial, insônia e dores de cabeça”, explicou a professora. De acordo com Maristela, estes são alguns dos sintomas que antecedem uma crise de burnout.

Quadro de adoecimento no Brasil - Deborah Barbosa apresentou algumas pesquisas durante o debate e citou o texto “Educação: carinho e trabalho”, de Wanderley Codo, que estudou a questão do burnout e a síndrome de desistência do educador que, segundo ele, pode levar à falência da educação.

A equipe de pesquisadores de Codo realizou um estudo sobre a desistência do trabalho docente entre os professores e entrevistou 52 mil sujeitos, em 1.140 escolas de todos os estados do Brasil. Os pesquisadores foram instruídos a fazerem aplicações de alguns protocolos de saúde mental, especificamente testes psicológicos. Os resultados da pesquisa mostraram 39,9% dos professores apresentando baixo envolvimento pessoal com o trabalho, 25% possuíam exaustão emocional, 10% apresentaram quadro de depressão e 10% sofriam com despersonalização. “10% é um grande número. Essas pessoas adoeceram no trabalho a ponto de alcançarem a despersonalização e isso é preocupante”, realçou a Deborah Barbosa.