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A despatologização das identidades trans e travestis foi tema de evento do CRP-MG
 
Publicado em 26/10/2017

Nesta quarta-feira, 25/10, o Psicologia em Foco discutiu “Contribuições interdisciplinares sobre travestilidades e transexualidades: despatologizar e garantir direitos”. Para assistir o encontro, clique aqui.

O médico Hugo Alejandro Cano Prais, professor assistente do setor de saúde mental do Departamento de Ciências Médicas da Escola de Medicina da UFOP, abriu a fase de apresentações enfatizando a importância do cuidado integral em saúde na despatologização das identidades travestis e trans, a partir do que chamou de “ética do cuidado”.

Segundo ele, as classificações diagnósticas relacionadas às sexualidades e às identidades de gênero são muito questionáveis, pois levam à estigmatização dos sujeitos, em especial as relativas às transidentidades. “As classificações diagnósticas devem refletir as demandas das populações de interesse, não a demandas de corporações ou academicismos”, enfatizou. O médico fez um alerta sobre a urgência de se qualificar as equipes de atendimento e delas estarem atentas às violências que muitas vezes não são reconhecidas como tal.

O convidado também explicou a incongruência de gênero, que é caracterizada por uma marcante e persistente incongruência entre o gênero experienciado por um indivíduo e o seu sexo designado. “O estabelecimento da congruência pode incluir tratamentos hormonais, cirurgias ou outros cuidados em saúde, fazendo que o corpo do indivíduo se alinhe ao gênero experienciado ao máximo possível e de acordo com o desejo deste”, afirmou.

Contexto histórico - A psicóloga Jaqueline Gomes, pesquisadora-líder do ODARA - Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura, Identidade e Diversidade do Instituto Federal do Rio de Janeiro, falou da construção social e cultural binária na sociedade. “Nós ainda vivemos um apartheid: o apartheid de gênero, nossa lógica ainda é colonizada e isso reflete na nossa lógica de gênero, o nosso pensamento precisa ser descolonizado”, contextualizou.

A psicóloga fez uma retomada histórica e apontou a patologização da população negra, das mulheres e, mais recentemente, da população trans. “A patologização das identidades trans tem a ver com a transfobia cotidiana”, enfatizou Jaqueline.

A conselheira presidenta do CRP-MG, Dalcira Ferrão, finalizou a atividade ressaltando o posicionamento do Sistema Conselhos no que se refere à postura ética e profissional em não patologizar as identidades sexuais ou de gênero.